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Cuidado parental moderno pode atrasar desenvolvimento do cérebro

  • Posted on:  Sexta, 19 Fevereiro 2016 19:59
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As conclusões de pesquisas recentes mostram a relação direta a importância dos valores parentais nos cuidados de seus filhos. O tratamento que os pais dispensam aos seus filhos impacta diretamente no desenvolvimento de ambos, tanto em termos emocionais quanto cerebrais. O que os pais passam para os filhos e esses para a geração seguinte pode determinar o futuro de nossos descendentes. Para além do cuidado imediato, os valores e outras crenças dos pais também passam de modo indireto para o que os filhos vão aprender sobre o brincar, sobre intimidade, sobre tocar e ser tocado e sobre o nível de curiosidade que podem se permitir na descoberta do mundo.

A seguir apresentamos tradução de artigo, realizada pela equipe do Espaço da Mente, sobre recentes estudos desenvolvidos na Universidade de Notre Dame nos Estados Unidos.

Práticas sociais e crenças culturais da vida moderna estão comprometendo o desenvolvimento emocional de um cérebro saudável, de acordo com pesquisas interdisciplinares apresentadas recentemente na University of Notre Dame.

“Os resultados de vida para jovens americanos estão piorando, especialmente em comparação com 50 anos atrás”, afirma Darcia Narvaez, professora de psicologia da Universidade Notre Dame, especializada em desenvolvimento moral em crianças e em como vivências precoces de vida podem influenciar no desenvolvimento do cérebro.

“Práticas descuidadas e crenças sem fundamento têm se tornado um lugar comum em nossa cultura, como o uso da fórmula de isolar bebês em seus quartos ou a crença de que responder depressa demais a uma criança agitada irá “mimá­la”, diz Narvaez.

Essa nova pesquisa vincula certas práticas parentais precoces, emocionalmente nutridoras – o tipo comum em sociedades caçadoras de alimento – a certos resultados emocionais específicos, saudáveis na vida adulta, e muitos especialistas têm repensado algumas de nossas “regras modernas” de cuidado de crianças.

“Amamentação de bebês, respostas ao choro dos bebês, toque quase constante e múltiplos cuidadores são algumas das práticas ancestrais nutridoras que têm mostrado impactar positivamente o cérebro em desenvolvimento, que molda não somente a personalidade, mas também auxilia na saúde física e no desenvolvimento moral” afirma Narvaez.

Estudos mostram que responder de modo contingente às necessidades do bebê (não deixar o bebê chorar até cansar) influencia de modo marcante o desenvolvimento do senso de consciência; toques positivos afetam a reatividade ao estresse, aumentando a capacidade de enfrentamento, controle de impulsos e empatia; o livre brincar na natureza influencia as capacidades sociais e controle da agressão; e um conjunto de cuidadores (para além de simplesmente a mãe) predispõe a QI mais elevado, resiliência e empatia.

Os Estados Unidos têm seguido uma trajetória descendente em todas essas características de cuidados, de acordo com Narvaez. Em vez de carregados no colo, infantes passam muito mais tempo em carrinhos e assentos adaptados em carros do que costumavam no passado. Apenas aproximadamente 15% das mães ainda amamentam aos 12 meses de idade, famílias extensas estão partidas e o livre brincar decresceu dramaticamente desde 1970.

Se corolário para essas práticas modernas ou o resultado de outras forças, o fato é que observamos uma verdadeira epidemia de ansiedade e depressão em grupos de todas as faixas etárias, incluindo crianças pequenas; níveis cada vez mais elevados de comportamento agressivo e delinquência em crianças pequenas; e decréscimo de empatia, a espinha dorsal de comportamento compassivo, moral, entre alunos universitários, conforme a pesquisa.

Ainda de acordo com Narvaez, no entanto, outros parentes e professores também podem promover um impacto benéfico, quando uma criança se sente segura na presença deles. Ademais, alguns desses déficits podem ser compensados mais tarde.

“O cérebro direito, que governa muito da auto­regulation, criatividade e empatia, pode crescer ao longo da vida. O hemisfério direito cresce por meio de experiências de corpo inteiro, como brincadeiras mais brutas, dança ou expressão corporal, movimentos livres, além de esportes e práticas de instrumentos musicais. Portanto, a qualquer momento os pais podem iniciar alguma atividade criativa com seus filhos e todos crescerem juntos com a experiência”.

Fonte: Espaço da Mente

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